POBRE PÃOZINHO!


Nesse primeiro texto de 2012 vou escrever sobre um alimento bastante injustiçado na minha opinião: o pão. Já perdi a conta de quantas vezes me disseram que a culpa de não conseguir emagrecer ou manter o peso era do pão. E acho curioso que muita gente chega para o nutricionista, médico, ou mesmo para aquela amiga que conseguiu emagrecer e diz: “ah, eu não emagreço porque como muito pão. Esse é meu problema, adoro pão e pão engorda”. E, verdade seja dita, não é o pão em si que engorda e sim uma combinação de fatores.
Foi justamente em uma dessas conversas sobre pão que pensei em escrever o texto defendendo esse alimento tão apreciado pela maioria de nós. Acho quase impossível alguém não gostar de um pão quentinho, recém saído do forno, com aquele cheiro incrível e com a casquinha crocante. Eu, pelo menos, adoro e acho que muita gente deveria rever seus conceitos sobre benefícios e malefícios dos pães. 

A verdade é que, assim como as gorduras, os benefícios dos pães (e também seus malefícios) dependem muito do tipo do alimento consumido. Há uma grande diferença entre consumir pão francês ou bisnaguinha e consumir um pão de aveia ou multigrãos. Além disso, temos que ter em mente que a qualidade daquilo que nós colocamos no meio do pão, como recheio, é fundamental para nosso corpo. E aí voltamos para o caso das pessoas que acreditam que o pão é o problema da dieta. Pergunte a ela qual pão ela consome e com o que: a resposta, com quase toda certeza será pão francês com manteiga ou margarina. Imaginem só que serão 140 kcal de pão (predominantemente carboidratos) contra pelo menos 100 kcal de gordura da manteiga (isso se a pessoa passar bem pouca manteiga no pão). Será que o culpado é mesmo o pão? Aí a pessoa come dois pães na sequência (ou meio pacote de bisnaguinha) com manteiga e diz que não emagrece porque gosta de pão. Além das calorias do pão e da manteiga ela estará ingerindo alta quantidade de sódio (presente no pão francês), que retém líquidos. E pronto, o pão virou o maior vilão da história. 
Eu nunca entendi porque os carboidratos, e os pães em especial, viraram vilões do dia para noite. Começou com aquele que disse que carboidratos à noite engordam e aumentou muito após o surgimento de dietas como Atkins e South Beach. Eu, como nutricionista, sou adepta justamente do contrário: os carboidratos (e os pães) são parte fundamental da nossa dieta e devem sim ser consumidos. Porém, é necessário lembrar de que devemos ter um pouco de critério nas nossas escolhas:
  1. 1. Evite pães tipo francês e prefira sempre aqueles com cereais integrais. Aveia, centeio, linhaça entre muitos outros grãos são fontes de fibras, que reduzem o tempo de esvaziamento gástrico e permitem que você se sinta saciado por mais tempo. Além disso, as fibras ajudam no funcionamento do intestino e estão associadas a redução do colesterol e também na redução do risco de muitas doenças.
  2. 2. Faça, sempre que possível, pães em casa. Comprar cereais integrais e fazer o próprio pão é uma excelente alternativa. Os pães caseiros em geral levam água, fermento biológico, pouco sal e açúcar, farinha (integral e branca) e também, muitas vezes, óleo em pequenas quantidades (que pode ser azeite de oliva ou óleo de canola). Basta acrescentar cereais integrais variados para ter sempre um pão diferente.
  3. 3. Tome sempre cuidado com aquilo que coloca como recheio dentro do pão. Prefira sempre ricota e queijo branco a queijos amarelos e manteiga. E não esqueça que frios como mortadela e salame não são os mais indicados: prefira carnes magras como rosbife ou atum com salada na hora de fazer um sanduíche.
Lembre-se que o pão pode ser seu grande aliado, basta ingerir versões saudáveis e recheá-los de maneira prudente. Saber fazer em casa, conhecer padarias que produzem pães integrais ou mesmo conhecer as novidades do mercado (de pães de forma) é o começo de uma boa relação entre você e os pães.
Milena M Pires

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