CANSAÇO DE FINAL DE ANO: MITO OU VERDADE?


Todo final de ano é a mesma coisa: de uma hora para outra começamos a sentir um cansaço mais forte que o habitual e uma incrível vontade de não fazer nada. Curiosamente nesse ano eu passei por uma situação envolvendo essa questão com duas colegas de trabalho. Uma delas, que é nutricionista, perguntou à outra (que é psicóloga) se ela poderia estar com algum problema psicológico e se existia alguma forma de mudar (com terapia ou remédio) aquilo que ela estava sentindo. O problema todo era uma falta de vontade constante de não fazer nada relacionado ao seu trabalho e aos estudos. A resposta dela (e minha também) foi direta: quando você descobrir o que fazer para acabar com esse sentimento, me avise que eu quero o segredo. Depois da brincadeira a psicóloga nos disse que esse cansaço e desânimo é sim uma característica do final de ano e que temos que aprender a lidar com isso.
Acho que a questão não é tentar entender se é realmente verdade que isso ocorre e sim em qual parcela da população ela está presente. Porque basta perguntar para qualquer pessoa da sua família ou amigos se tem sentido esse cansaço e você verá que a resposta é, quase sempre, afirmativa. Mas, por que será que isso ocorre?

Procurando uma explicação para a sensação de vazio e desanimo de final de ano achei um texto citando um psicanalista que reflete sobre a “síndrome do final de ano”.  Continuei a busca na internet e diversos sites explicavam essa teoria. Essa síndrome é caracterizada por sentimentos de frustração por tudo aquilo que não conseguimos realizar no ano que passou e também por ansiedade pelo ano que está por vir. Além disso, há grande preocupação com os planos e metas a serem estabelecidos para o próximo ano e isso gera conflitos interiores com os quais não sabemos lidar. Podemos dizer, de uma maneira bem simplista e resumida que é como se nós passássemos por um momento em que sofremos pelo que passou e também pelo que está por vir. Os psicólogos dizem que essa ruptura entre o que passou em um ano e o que está por vir no próximo sempre trouxe grande preocupação, desde que o mundo é mundo.
Eu achei a “síndrome do final do ano” bastante interessante. Mas, acho que atualmente outros aspectos vem sendo agregados e não podemos deixa-los passar batidos. A pressão pelo bom resultado profissional e pessoal é cada dia maior. Todos devem ser bem sucedidos, trabalhar naquilo que gostam mas ganhando bem, ter uma família harmoniosa  entre muitos outros “quesitos” (podemos também incluir, inclusive, ter bons resultados esportivos). E não atingir qualquer uma dessas metas impostas pelo ambiente em que vivemos gera um desconforto ainda maior, que, em virtude do final de ano, se torna mais evidente. Além de tudo isso somam-se as preocupações com as festas e os presentes. Sempre surgem problemas familiares e, claro, milhares de contas para pagar.
E para piorar toda essa situação nada favorável ao nosso humor, chovem revistas e reportagens sobre como ficar em forma para o verão. Receitas milagrosas para diminuir barriga, celulite, flacidez, ganhar massa...tudo em uma semana, no máximo quinze dias. Imagine agora a situação: além da frustração por não conseguir fazer tudo que quis no ano que está terminando e ter que pensar nos planos para 2012 você deve encarar o fato de que todo mundo está 100% para o verão, menos você. Bom, pelo menos é isso que as revistas e jornais dão a entender, não?
A verdade é que o sentimento é comum a maior parte das pessoas e devemos aprender a lidar com ele da melhor forma possível. Seja nos cobrando menos por tudo que não fizemos este ano ou estabelecendo metas reais e alcançáveis para o ano que vem.
Devemos tentar manter o ritmo até o final de ano, mesmo que isso seja difícil. E lembrar que logo mais, em janeiro, tudo estará renovado, inclusive nossa energia.
Milena M Pires

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