Outro dia, conversando com uma colega nutricionista, percebi que a questão da alteração de peso varia muito entre os indivíduos. Tanto entre aqueles insatisfeitos com o atual volume de gordura corporal (a maior parte das mulheres se encontra nessa situação) como outros que atingem facilmente suas metas de perda de peso a pergunta que surge é a mesma: por que algumas pessoas tem muito mais facilidade para perder peso (e muitas vezes a perda de peso é realmente gordura corporal) enquanto outras sofrem muito para chegar no mesmo ponto? E por que algumas pessoas tem facilidade para perder peso, mas não conseguem manter essa perda por muito tempo?
Quando pensamos na questão ingestão X gasto energético a resposta parece bem simples: devemos gastar mais do que ingerir para manter o saldo negativo da balança e, assim, perder peso. Mas, será que é só isso mesmo?
Estudos mais recentes tem sugerido que a diferença interindividual entre as pessoas no que se refere a aspectos metabólicos (entre eles a perda e o ganho peso) se deva principalmente a aspectos genéticos. Na verdade, há muito tempo se sabe que há uma variabilidade individual que nos torna únicos e que permite que alguns indivíduos tenham determinada resposta a um programa de intervenção para redução de peso. Porém, foi a partir do Genoma humano que as pesquisas na área começaram a crescer e que alguns genes passaram a ser estudados como responsáveis por tais alterações.
O único problema é que nós somos uma máquina extremamente complexa na qual há interação entre diferentes vias. E estudar um gene específico que parece estar associado ao ganho de peso pode levar a uma via muito mais ampla do que se esperava. Sabe-se atualmente que existem genes que podem promover as tais diferenças interindividuais relacionadas perda de peso e que eles são muitos. Ter polimorfismo em um gene (substituição de uma base por outra na estrutura do DNA) pode ser suficiente para ter alteração na secreção de hormônios, em cascatas de reações e também no metabolismo basal (entre muitas outras coisas).
Entretanto, alguns autores discutem que, além do aspecto genético, sempre temos que lembrar que aspectos culturais e emocionais interferem no hábito alimentar e que esses fatores contribuem diretamente para diferenças no perfil dos indivíduos. Além disso, o poder dos hábitos alimentares sobre todos esses aspectos genéticos também vem sendo estudado e parece ser um caminho promissor.
A importância da carga genética é indiscutível, mas tudo que se sabe até agora (que não é pouco) ainda é insuficiente para promover dietas individualizadas e identificar os “pontos fracos e fortes” de cada metabolismo.
Milena M Pires

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