O uso de Ribose na suplementação esportiva é relativamente recente quando comparamos a outros produtos como Whey Protein ou maltodextrina. Mas, nem por isso são poucos os consumidores desse açúcar. Será que a Ribose funciona mesmo?
Bom, eu diria que esse é o maior exemplo de que teoria e prática nem sempre andam juntas. Na teoria os suplementos à base de ribose tem tudo para serem extremamente eficientes, mas na prática os resultados ainda deixam a desejar. Por que será que isso ocorre?
A Ribose é um açúcar de 5 carbonos que é sintetizado pelo nosso organismo, mas que também pode ser consumido em frutas e verduras maduras (em menores quantidades). Alguns estudos mostraram que após a ingestão de uma dose via oral, praticamente 90% da Ribose consumida é digerida rapidamente no nosso organismo. Esse dado associado ao fato de ela ser importante no fornecimento de energia, fez com que os pesquisadores acreditassem que talvez ela pudesse auxiliar no desempenho esportivo.
Essa crença no poder da Ribose não surgiu à toa: a melhora esperada no desempenho após a ingestão de Ribose tem um fundamento teórico bastante forte e explorado em estudos recentes.
O restabelecimento dos “estoques” de energia muscular (ATP – adenosina tri-fosfato, ADP – adenosina di-fosfato e AMP – adenosina mono-fosfato) após exercícios intensos parece ocorrer através de novas sínteses de nucleotídeos com uma possível e pequena participação de purinas. Recentemente, foi proposto que a etapa limitante na síntese de novos nucleotídeos seria a disponibilidade de 5-fosfo-ribosil-1pirofosfato que pode ser sintetizado a partir da ribose na musculatura. E de fato, em estudos com modelos animais e também em humanos foram comprovados os efeitos da ribose sobre aumento da síntese desses nucleotídeos. A partir dessa informação começaram a surgir estudos para investigar se tais efeitos resultariam em benefícios sobre o rendimento de atletas de elite.
E aí vem a realidade. Nem sempre o que funciona bem em modelos experimentais tem o mesmo efeito quando estudamos pessoas no dia a dia. Os resultados da suplementação com ribose são extremamente controversos. Apesar de alguns estudos observarem melhora na recuperação muscular, a maior parte deles não observou melhora no grupo suplementado após algumas semanas quando comparados a um grupo controle. Além dos resultados controversos, há grande dificuldade em comparar os estudos porque muitos diferem nos protocolos e, principalmente, na escolha dos sujeitos da pesquisa. Ou seja, ainda não foi comprovado que consumir ribose melhora a recuperação muscular ou aumenta o desempenho em sessões de treino.
Acredita-se atualmente que a Ribose tenha alto potencial para ser um ótimo suplemento esportivo. Porém, as quantidades que devem ser ingeridas, a forma como ela deve ser consumida, o tempo de duração e para quais atletas a ribose pode ser melhor aproveitada ainda são questões em aberto.
Milena M Pires

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