Nas minhas buscas em sites de suplementos sempre me deparo com algumas nomenclaturas curiosas. Quando vi essa categoria de suplementos “fitoterápicos e funcionais” fiquei curiosa para saber o que era vendido. E qual foi a minha surpresa ao descobrir que dos 9 suplementos vendidos, 6 eram de ômega 3 e um de cartilagem de tubarão. Fiquei pensando então porque o termo fitoterápicos foi utilizado, uma vez que estes são suplementos ou medicamentos extraídos a partir de plantas. Acredito que é grande parte é marketing das empresas que sabem que o termo fitoterápico atrai muito e tem apelo “saudável”, mas também podemos considerar que o único óleo de linhaça faça parte dos “fitoterápicos”.
Mas, voltando a questão dos suplementos oferecidos nessa categoria, os ômega-3 e ômega-6, fiquei muito contente de saber que na frase de propaganda deles não está escrito nada de miraculoso e sim suas ações comprovadas cientificamente. Digo que fiquei contente porque, normalmente, a propaganda cria uma imagem de que o suplemento pode fazer milagres pelo seu organismo, o que não é verdade. Os suplementos auxiliam a melhora do desempenho desde que você treine, descanse e se alimente da maneira correta.
Os suplementos de óleo de peixe, ricos em ômega 3, não são comercializados com o intuito de promover perda de massa magra ou aumento de rendimento. O ômega-3 é um ácido graxo (uma gordura) poliinsaturado que está presente principalmente em peixes de águas profundas como atum e salmão. Diversos estudos já evidenciaram a importância do consumo de ômega-3 para redução dos níveis de colesterol LDL (o colesterol ruim). Além disso, alguns estudos observaram melhora no colesterol HDL e outros redução nos níveis de triglicérides.
Paralelamente às cápsulas de ômega-3, alguns suplementos comercializados são cápsulas de ômega-6. Ao contrário do ômega-3, o ômega-6 tem diferentes fontes, como muitos óleos vegetais. Alguns estudos observaram efeitos benéficos desse ácido graxo na prevenção de doenças, porém, atualmente sabe-se que o aumento do consumo de ácidos graxos ômega-6 e redução do consumo de ômega-3 (ou seja, alteração na proporção entre os dois ácidos graxos) pode elevar o risco para uma série de doenças. A razão ômega-6/ômega-3, que deveria ser 6:1 ou 4:1, está em torno de 10 a 30:1 nas populações ocidentais. O aumento do consumo de ômega-6 em detrimento do ômega-3 pode promover alterações no metabolismo da glicose e aumentar a inflamação subclínica, importantes fatores de risco para doença cardiovascular. Além disso, o excesso de ômega-6 foi associado à aterosclerose em alguns estudos.
O que eu quis dizer com tudo isso? Que os estudos atuais mostram que suplementos com ômega-3 são sim benéficos para o organismo e atuam principalmente sobre o perfil lipídico, com redução de LDL. Já suplementos de ômega-6 devem ser consumidos de forma moderada porque estudos já observaram associação desse ácido graxo com inflamação e até aterosclerose. Além disso, na nossa alimentação já ingerimos muito mais ômega-6 que ômega-3 e tornamos a razão entre eles desequilibrada sem ingestão de nenhum suplemento.
Quando tiver dúvidas sobre a eficácia de suplementos, faça uma busca na internet em sites médicos e em artigos. Procurar saber mais sobre aquilo que você vai ingerir evita problemas futuros e torna a suplementação mais segura.
Milena M Pires

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