Hoje estava fazendo uma busca sobre novos suplementos e me deparei com os combos de queima de gordura. Nada mais interessante do que fazer o comprador levar dois ou mais produtos ao invés de um só. Além disso, promover combos aumenta a confiabilidade do produto porque muita gente pensa: “ah, esse produto sozinho não faz milagres, mas com certeza essa combinação vai ser muito boa e efetiva para mim”. Mas, afinal, o que tem esses combos queimadores de gordura? Eles realmente funcionam?
Primeiro gostaria de deixar claro que não sou contra as empresas que vendem suplementos e realmente acredito que muitas fórmulas trazem benefícios a atletas amadores e profissionais. Suplementos à base de maltodextrina, ou combinações de proteína e carboidratos (entre muitos outros) são excelentes alternativas e, com frequência, apresentam o resultado esperado. Mas, como nem tudo são flores, eu fico sim com os dois pés atrás quando se trata de queimadores de gorduras, ou “Fat burners”.
Esses suplementos mais “recentes”, vendidos em combos, tem algumas semelhanças entre as marcas brasileiras mais vendidas. E foram essas semelhanças que me deixaram bastante curiosa. Por isso levantei algumas aspectos interessantes:
1. O princípio ativo de um dos suplementos do combo (de duas empresas diferentes) é uma fórmula com ácidos graxos (gorduras) que, teoricamente promovem redução da gordura corporal. Porém, nos estudos apontados pelos fabricantes, quando indivíduos ingeriram o óleo (do qual derivam os componentes das cápsulas) houve redução dos níveis de triglicérides no sangue e não redução da gordura corporal. Era esperado realmente que esse tipo de gordura tivesse efeito positivo sobre o perfil lipídico uma vez que gorduras insaturadas atuam de maneira benéfica, em especial sobre as concentrações de LDL. Mas, ter efeito benéfico sobre o colesterol e promover redução de peso são situações bastante distintas. E nenhum estudo apontou claramente redução de gordura e/ ou peso corporal após uso da substância.
2. Outra informação interessante está no fato de que cada empresa apresenta uma quantidade diferente como porção. Um bom indicativo de que os estudos são inconclusivos quanto a esse suplemento, em especial visando a perda de peso está na falta de padronização entre os fabricantes.
3. O segundo componente do combo nas duas fabricantes é o que mantém o metabolismo acelerado para permitir maior queima de gordura. Isso na teoria, porque na prática nem sempre isso funciona. Em um dos fabricantes o suplemento nada mais é que um combinado de vitaminas e minerais com gelatina e maltodextrina. Fiquei um pouco curiosa para saber como seria possível ter maltodextrina sem acrescentar calorias à fórmula, mas as informações nutricionais do fabricante apontam zero kcal por porção. Já o outro fabricante tem fórmula rica em guaraná e cafeína. Realmente os dois compostos têm um pequeno efeito sobre o metabolismo basal, porém, muito menor do que o anunciado pela empresa. Além disso, as quantidades desses componentes nas cápsulas são similares a muitos outros produtos e até bebidas como café, chá mate e chá verde (dependendo da quantidade).
Pode parecer uma visão um tanto quanto crítica de suplementos, mas acho importante ressaltar que nem tudo que é manipulado e vendido realmente é o que parece. Sempre leia a bula e o arquivo “informações científicas” e certifique-se de que existem bons estudos comprovando a eficácia do suplemento.
Milena M Pires
Primeiro gostaria de deixar claro que não sou contra as empresas que vendem suplementos e realmente acredito que muitas fórmulas trazem benefícios a atletas amadores e profissionais. Suplementos à base de maltodextrina, ou combinações de proteína e carboidratos (entre muitos outros) são excelentes alternativas e, com frequência, apresentam o resultado esperado. Mas, como nem tudo são flores, eu fico sim com os dois pés atrás quando se trata de queimadores de gorduras, ou “Fat burners”.
Esses suplementos mais “recentes”, vendidos em combos, tem algumas semelhanças entre as marcas brasileiras mais vendidas. E foram essas semelhanças que me deixaram bastante curiosa. Por isso levantei algumas aspectos interessantes:
1. O princípio ativo de um dos suplementos do combo (de duas empresas diferentes) é uma fórmula com ácidos graxos (gorduras) que, teoricamente promovem redução da gordura corporal. Porém, nos estudos apontados pelos fabricantes, quando indivíduos ingeriram o óleo (do qual derivam os componentes das cápsulas) houve redução dos níveis de triglicérides no sangue e não redução da gordura corporal. Era esperado realmente que esse tipo de gordura tivesse efeito positivo sobre o perfil lipídico uma vez que gorduras insaturadas atuam de maneira benéfica, em especial sobre as concentrações de LDL. Mas, ter efeito benéfico sobre o colesterol e promover redução de peso são situações bastante distintas. E nenhum estudo apontou claramente redução de gordura e/ ou peso corporal após uso da substância.
2. Outra informação interessante está no fato de que cada empresa apresenta uma quantidade diferente como porção. Um bom indicativo de que os estudos são inconclusivos quanto a esse suplemento, em especial visando a perda de peso está na falta de padronização entre os fabricantes.
3. O segundo componente do combo nas duas fabricantes é o que mantém o metabolismo acelerado para permitir maior queima de gordura. Isso na teoria, porque na prática nem sempre isso funciona. Em um dos fabricantes o suplemento nada mais é que um combinado de vitaminas e minerais com gelatina e maltodextrina. Fiquei um pouco curiosa para saber como seria possível ter maltodextrina sem acrescentar calorias à fórmula, mas as informações nutricionais do fabricante apontam zero kcal por porção. Já o outro fabricante tem fórmula rica em guaraná e cafeína. Realmente os dois compostos têm um pequeno efeito sobre o metabolismo basal, porém, muito menor do que o anunciado pela empresa. Além disso, as quantidades desses componentes nas cápsulas são similares a muitos outros produtos e até bebidas como café, chá mate e chá verde (dependendo da quantidade).
Pode parecer uma visão um tanto quanto crítica de suplementos, mas acho importante ressaltar que nem tudo que é manipulado e vendido realmente é o que parece. Sempre leia a bula e o arquivo “informações científicas” e certifique-se de que existem bons estudos comprovando a eficácia do suplemento.
Milena M Pires

Olá.Como saber a quantidade de cafeina a ser ingerida diariamente? Existem estudos que comprovem resultados reais com o uso da cafeita? Porque os nutricionistas não receitam cafeina nas dietas de redução de peso? Grato
ResponderExcluirOrra! Bacana seu relato com suplementos nacionais, que realmente não funcionam. Gostaria que você pegasse agora uma seleção de supp Importados e fizesse assim também um relato a respeito. VLW! Parabéns!!!
ResponderExcluirOlá D_Arnold,
ResponderExcluirNa realidade eu utilizei os suplementos nacionais como exemplo porque estava falando dos combos e, aparentemente, esses suplementos são mais comuns por aqui. Entretanto, gostaria de deixar claro que os suplementos nacionais são bons e são fiscalizados, o que torna maior a nossa confiança neles. Em alguns países não há fiscalização sobre a produção e podem ser incluídos produtos ilícitos na composição.
De qualquer maneira os "Fat burners" são suplementos que dificilmente apresentam os resultados esperados porque não existe até hoje nenhuma substância capaz de promover perda de peso sem nenhum tipo de reação ou prejuízo ao organismo. Não se se esclareci suas dúvidas.
Milena M Pires
Olá Alexandre,
ResponderExcluirA questão da cafeína no aumento do metabolismo basal é bastante controversa e não há um consenso em relação a dose. Mesmo porque, para algumas pessoas o efeito é muito pequeno ou nulo, o que dificulta o estabelecimento de uma "porção". Além disso, a cafeína, quando consumida em excesso, tem efeitos indesejáveis para muitas pessoas como aumento dos batimentos cardíacos e irritação.
Olá Alexandre,
ResponderExcluirComplementando o que eu disse anteriormente:
O uso de cafeína para emagrecimento tem resultados melhores em mulheres ou em indivíduos com baixo consumo habitual de cafeína. A dose utilizada na maior parte dos estudos é de 300 mg, mas nem sempre os efeitos são os desejados. Entretanto, alguns estudos apontam efeitos benéficos com suplementação de cafeína para melhora no desempenho.
Milena M Pires