CONHECER SEU CORPO FAZ PARTE DO TREINAMENTO

Atualmente há um consenso sobre a importância de conhecer o próprio corpo (e suas reações a determinadas situações) no treinamento esportivo. Mesmo assim, poucas pessoas realmente param para analisar a forma como seu organismo reage durante treinos, provas e outras situações. E entre aquelas que conseguem perceber as alterações sempre surge a dúvida: como posso tirar proveito desta informação?
Eu realmente acredito que conhecer alguns aspectos básicos de fisiologia, nutrição e treinamento esportivo são fundamentais para o rendimento. Claro que algumas pessoas, mesmo sem nenhum conhecimento, conseguem atingir um rendimento alto, mas estas pessoas são as “exceções”. Para todos aqueles que querem melhorar e não sabem por onde começar, aqui vai uma dica: observe e estude o funcionamento do seu corpo. Não do corpo de maneira geral, mas do seu corpo, do seu organismo.
Um exemplo simples de como isso funciona: pergunte para algum professor de educação física que você conhece que treinava algo antes da faculdade e continuou treinando ou que parou e voltou. Pergunte se o desempenho dele melhorou e porque ele acha que isso aconteceu. Descontando a idade (provavelmente a idade que ele está agora é menos favorável para o rendimento), provavelmente a parte técnica dele melhorou muito. E isso ocorre simplesmente pelo fato de que ele estudou o movimento correto e passou a tentar reproduzir.  Essa informação técnica aliada ao conhecimento de corpo humano é extremamente positiva.
Agora deixando de lado os educadores físicos (porque afinal de contas não é todo mundo que quer sair por aí feito doido estudando anatomia, fisiologia e bioquímica), todos os atletas (profissionais e amadores) podem melhorar muito seu rendimento se souberem ouvir o que o corpo diz:
1.    Saber como seu organismo reage a diferentes tipos de treinos (intervalado, contínuo, com cadência alta ou baixa) é o primeiro passo para melhorar seu rendimento. Essa informação é útil para otimizar os treinos, para saber se algum destes treinos não deve ser realizado em um dia que você não está 100% e também para permitir que você descubra suas falhas. Parece bobagem, mas quando sentimos dificuldades em um treino lembramos dele de forma geral e o ideal é que lembremos em qual exato momento tivemos dificuldade (qual era o terreno, a cadência, etc).
2.    Com os alimentos e a nutrição acontece a mesma coisa. Sempre falo para os meus pacientes para que eles façam testes com o que querem levar para provas. Você saber o que você tolera antes e depois  de provas e treinos é importantíssimo e ninguém pode saber tão bem quanto você o que cai bem nessa hora. Um nutricionista pode auxiliar sim, mas só você poderá observar e sentir suas reações a cada preparação e/ou alimento e saber se aquilo é bom para o seu rendimento.
3.    Prestar atenção em atletas de elite e observar as técnicas é muito bom, mas temos que lembrar que cada corpo é de um jeito. Não podemos querer fazer tudo igualzinho, porque, talvez, para você uma pequena alteração na bike pode gerar redução do rendimento ao invés de ganho.
4.    Saber obedecer a seu organismo e descansar quando o corpo estiver pedindo também é parte importante do conhecimento do seu organismo. Não é porque determinado atleta só descansa uma vez por semana que você tem que fazer o mesmo.
5.    Aliás, quando pensamos em lesão isso também é verdade. Pessoas que conhecem bem o próprio corpo conseguem distinguir cansaço muscular de lesão e lesão leve de séria.
6.    Além de tudo isso, conhecer um pouco de anatomia, fisiologia e nutrição voltadas para a sua modalidade (ler e conhecer mais) não faz mal a ninguém e pode ser muito útil para a melhora do seu rendimento.

Milena M Pires

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